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Elvas acolhe a quarta edição do festival A SALTO

O festival A SALTO – Tomada Artística de Elvas, na sua quarta edição, vai decorrer de 28 a 30 de agosto, em vários locais da cidade de Elvas, num projeto que, desde 2016, privilegia a apresentação pública de projetos artísticos contemporâneos transdisciplinares, em diálogo com a topografia social e arquitetónica do município fronteiriço de Elvas.

A organização é da associação cultural UMCoLetivo e conta com o apoio da Câmara Municipal de Elvas, Direção Geral das Artes, Direção Regional de Cultura, RTP, Antena 2, Antena 3, Alojamento Local em Elvas, Boutigest e Cool Guest House.

Na edição deste ano vai ser homenageado José Travanca, carpinteiro elvense “cuja oficina serviu de trabalho a inúmeros artistas das edições anteriores, carpinteiro cujas mãos serviram várias obras de colegas nossos, carpinteiro cujos olhos sempre foram sinceros na despedida ‘isso não é nada’. Dele, aprendemos a capacidade de aprender. Era, sim, um homem que adorava desafios. ‘Isso agora já me vai deixar a pensar, amanhã ligo-lhe’. Não será por um mero acaso que a profissão é bíblica. Sr Travanca, por todos os mundos que nos ofereceu com as suas mãos, lembrá-lo-emos”, refere a organização.

“No ano em que o mundo ficou sem chão, quisemos erguer um festival para olhar o céu. Resistimos, assim, aos caprichos da vida, inventando pulmões – e não é disso que trata a arte? – que façam do caos, poemas. Citamos Lavoisier para que tudo se transforme: as máscaras, os ódios, os medos. Fizemos o festival pé-ante-pé, com a coragem silenciosa de quem resiste e resiste, colhendo confianças como Blimunda procurou vontades. Aqui estamos e estamos prontos. Cá dentro, trazemos um conto de belas adormecidas sobre o desejo de um corpo espetacular. Depois da quarentena, somámos e multiplicámos todas as saudades, num estranhofone que as canta, uma-a-uma. Calendário para um abraço ou um beijo. Como se Romeu e Romeu se reencontrassem e estes dias fossem a Homenagem ao amor em tempos de cólera, uma espécie de ritual em que celebramos estar juntos, quando comungar é raro e frágil. Vida tão só, vida tão estranha. Metemos os papéis pelas mãos. Cozinhamos paisagens no céu da boca, no céu das estrelas, no céu dos sonhos, no céu inventado pelas nossas mãos, juntas. E, por fim, chegamos a zénite”.

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