O Morro do Moco é o ponto mais alto de Angola, com 2620 metros. O Morro do Moco é um dos lugares mais inóspitos do país, com um potencial enorme para o turismo de aventura e ecológico, e para a investigação científica.
Só o caminho para lá chegar entusiasma todos os que gostam de perder-se no meio da Natureza. Quem conhece o terreno aconselha a levar GPS e um bem equipado todo-o-terreno. O ponto de partida é a vila do Ussoque, na província do Huambo. Depois, é um ziguezaguear de 27 km por estradas degradadas, rios, subidas e descidas até encontrar, no fim do trajecto, a aldeia de Kanjonde.
Em rotação completa de 360 graus, pode ver os maciços ondulados a perder de vista. Encante-se com as pradarias do Planalto Central e com as rochas que delas irrompem em forma de lança. E tudo isso com os pés acima das nuvens. Literalmente.
Os amantes da Natureza têm aqui um verdadeiro santuário formado por 85 hectares de floresta de alta montanha, o miombo, encravada nos vales escarpados e húmidos da cordilheira. Representam metade deste tipo de vegetação a nível nacional, mas está em risco acelerado de desaparecer para sempre. As várias equipas de biólogos e especialistas que por ali passam de forma mais ou menos intermitente já alertaram: as florestas do Moco são o habitat mais ameaçado de toda Angola. E defendem a criação de uma Área Protegida que salve o que resta da vegetação e da vida animal da nossa montanha-mãe.
Alo habitam espécies únicas que não se vêem em nenhum outro lado do mundo, como o Francolim de Swierstra. Esta ave, em conjunto com libélulas, insectos e uma quantidade considerável – mas ainda não estudada – de anfíbios e répteis, fazem da região um laboratório vivo que é necessário preservar a todo o custo.
Para além da observação das aves, mamíferos e plantas de todo o tipo, o Morro do Moco é lugar privilegiado para as caminhadas. Ponha calçado cómodo e avance pelo terreno íngreme da montanha, terminando, claro está, no ponto mais alto. Quando regressar cá abaixo, explore as florestas, grutas e cavernas. Descubra, com a ajuda dos habitantes locais, as plantas medicinais de todo o tipo que ali fazem milagres, como o assengue.
Quando o calor do meio-dia for insuportável, mergulhe nos rios Moco, Chavassa e Balombo que nascem por estas bandas. Águas límpidas e frescas que ora correm soltas, ora se detêm em pequenas piscinas naturais que fazem as delícias dos visitantes.
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