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A Mão-de-Olhos-Azuis de Cândido Portinari

Está patente, até 27 de maio, no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa, a exposição de Cândido Portinari – A Mão-de-Olhos-Azuis, com a curadoria de Maria de Aires Silveira e o apoio dos Amigos do Museu do Chiado.
“As obras apresentadas nesta exposição integravam um conjunto de oito painéis de temática musical que decoravam a Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, em 1942, da autoria de Cândido Portinari (Brodowsqui, S. Paulo, 1903 – Rio de Janeiro, 1962). Após o incêndio do seu auditório, em 1949, o MNAC e MNSR recebem a doação destas duas obras, em 1951, através da empresa Diários Associados, de Assis Chateaubriand, também proprietário da emissora.
Raramente expostas, estas peças de temática popular sugerem a fraternidade do universo ibero-americano, a diversidade étnica do povo brasileiro e a sua cultura musical. Chorinho é um género de música popular, um modo de tocar. Cavalo-marinho é uma representação festiva de narrativas declamadas. Ambos revelam uma construção geométrica de fundos, em composições próximas de uma planificação de volumes, recortados por sombras, linhas e planos. Numa redução cromática, entre azuis raros e castanhos, destacam referências picassianas.
Valorizado como o pintor “mais popular do Brasil” (Mário Dionísio, 1963) Portinari integra-se num modernismo original e clássico, num “nacionalismo estético” (Mário de Andrade) através de expressivas deformações da figura e de um “otimismo” baseado na afirmação heróica do trabalho. Destaca-se como pintor social e artista oficial. Pesquisa as raízes nacionais, constrói um imaginário mítico brasileiro mas afasta-se da ideologia do Estado Novo. Liga a pintura social à comunicação visual e sublinha a importância do gesto num realismo dramatizado, nestes casos, pela música e narrativa popular. Por isso, a mão e o seu olhar observador traçam um percurso original, expresso na poesia de Carlos Drummond de Andrade, A mão-de-olhos-azuis.” (MAS).

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