Mineração em Aljustrel
A vila de Aljustrel é, devido à natureza geológica do seu subsolo, importante pela atividade mineira, desde o período calcolítico, há cerca de 5000 anos. Mas é no período romano e no industrial, que as jazidas de Aljustrel vão ser largamente mineradas. Esta atividade, por ser extrativa, é caracterizada, entre outras coisas, pelo enorme volume e peso de materiais deslocados, o que sempre motivou a fixação de mão-de-obra e a introdução de tecnologias de transporte.
Período Romano
No período romano, entre o séc. I e o V d.C., a deslocação de minério e outros materiais, nos trabalhos subterrâneos, era efetuada recorrendo à força braçal humana, por meio da utilização de recipientes de madeira e esparto, e à superfície, utilizando veículos de tração animal. No transporte vertical eram utilizados guinchos em madeira, utilizando recipientes e cordas de esparto, acionados pela força braçal.
Período Industrial
Muares e locomotivas a vapor
Com a industrialização, a partir da 2.ª metade do séc. XIX, o transporte de minério passa a ser efetuado por ferrovia, nas galerias de rolagem e à superfície. Nas galerias o minério era transportado em vagões de pequena dimensão (designados de vagonetas), tracionados por muares e homens, que os faziam chegar à superfície através dos poços, elevados por um malacate, ou saídos diretamente pela galeria que tinha acesso ao exterior (boca-mina). A partir daí os vagões eram puxados, inicialmente por muares e depois por locomotivas a vapor, até aos vários núcleos de transformação.
Locomotivas diesel e elétricas
No séc. XX, a partir da década de 40, começam a ser introduzidas locomotivas diesel no transporte à superfície e, na década de 60, nas galerias de rolagem, os muares deixam de ser utilizados na deslocação de vagões, passando estes a serem puxados por locomotivas elétricas.
O Escoamento do Minério
O minério era depois transportado, a partir de Aljustrel, para o seu consumidor, também por ferrovia, através da ligação à rede ferroviária nacional, seguindo dois percursos com fases distintas:
A linha da Figueirinha
Numa primeira fase, com a inauguração da Linha Ferroviária do Alentejo (a 20 de Dezembro de 1870), a empresa concessionária da mina, a Companhia de Mineração Transtagana, constrói, em 1876, uma linha de bitola estreita (92cm), com uma extensão de, aproximadamente, 21,5 km, que ligava os núcleos de S. João do Deserto e de Algares, passando pelo complexo metalúrgico das Pedras Brancas, à Estação da Figueirinha, na Linha do Alentejo (bitola larga), onde se fazia o transbordo.
O ramal de Aljustrel
Numa segunda fase, com a inauguração do ramal de Aljustrel, de via larga, a 2 de junho de 1929, explorado pela então detentora da concessão mineira, a Société Anonyme Belge des Mines d’Aljustrel, começa a ser possível a entrada direta dos vagões de minério nas linhas da CP, eliminando a necessidade de transbordo, o tempo despendido e os elevados custos. Este ramal fazia a ligação entre a estação de Castro Verde – Almodôvar, no Carregueiro, e a estação de Aljustrel, na vila, com cerca de 8,2 Km de extensão, transportando pessoas e mercadorias até 1975, e minério até 1993.
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