Select Page

PR3 MCQ – Trilho da Fóia

2 h
6.8 kmDistância
NormalDificuldade
2 hDuração

Percurso circular de 6,8 km que parte da Fóia, o ponto mais alto do Algarve, com vistas até ao mar. Atravessa uma zona com adelfeiras, espécie endémica da serra de Monchique, e encostas em socalcos.

 

O percurso tem início na Fóia, o ponto mais alto do Algarve (902m). Segue pela estrada asfaltada; depois, no cruzamento continua em frente e começará a descer em direção à EN 266. A descida é rodeada por paisagens de rosmaninho (Lavandula luisera), urzes (Erica spp), esteva (Cistus ladanifer) e a famosa adelfeira (Rhododendron ponticum subsp. baeticum), que é facilmente identificada na época de floração.

Aproveite a soberba vista: consegue ver até ao litoral do Algarve! O final da descida é feito por uma estrada de calçada. Siga com muito cuidado e cumprindo as normas de segurança enquanto caminha na EN 266, pois a circulação automóvel é constante. Aqui poderá fazer uma pausa para reabastecimento de forma a preparar-se para o regresso.

Depois o percurso vira à esquerda, deixando o asfalto, e a caminhada faz-se agora por caminho de terra batida. Desfrute da natureza verdejante e do ar puro. Vai passar por vários socalcos onde ainda se pratica o pastoreio. Depois, encontra-se com a GR13 – Via Algarviana quase até ao topo da Fóia. Em dias de céu limpo, aproveite para contemplar a vista sobre todo o Algarve e até parte do Alentejo.

 

O QUE PODE VER?

Flora
A Serra de Monchique é um território mediterrânico com forte influência atlântica. O seu clima, particularmente na parte superior da serra, onde a precipitação anual é mais do dobro da que ocorre em boa parte do Algarve, explica as características especiais da flora, face à restante vegetação algarvia. Para a riqueza botânica da serra contribui também, além da abundância de chuva, a diversidade litológica.

De forma geral, os bosques autóctones de sobreiros e as florestas plantadas de pinheiro e eucalipto dominam a paisagem. Os eucaliptais são explorados sobretudo para produzir pasta de papel. O medronheiro cresce abundantemente entre os sobreiros e os pinheiros.

Perto do cume dos cerros podem ser encontradas espécies raras como a adelfeira (Rhododendron ponticum subsp. baeticum), a rosa-albardeira (Paeonia broteroi) e a orquídea Neotinea maculata, característica das zonas de bosque.

A Serra de Monchique, graças às características atlânticas, marca o limite sudoeste onde é possível encontrar algumas espécies de plantas. Na parte superior, mais influenciada pelo Atlântico, há por exemplo o tojo molar (Ulex minor subsp. lusitanicus) e a arenária (Arenaria montana L.).

Mas os motivos de interesse não se ficam por aqui: destaca-se a presença, no sub-bosque dos poucos soutos que restam, de Doronicum plantagineum que encontra, em Monchique, o limite a sul da sua distribuição em Portugal, e ainda Senecio lopezii, endemismo do sudoeste peninsular que, no nosso país, apenas aqui se pode encontrar.  E nas superfícies mais frescas há ainda alguns exemplares de Quercus canariensis, um carvalho que, em Portugal, só cresce de forma espontânea nestas paisagens serranas, e por isso é chamado vulgarmente de carvalho-de-Monchique.

Fóia
É o ponto mais alto do Algarve, com 902 m de altitude. A partir do miradouro, com uma vista privilegiada para sul, vêem-se os terrenos que se estendem até à linha de costa. Na paisagem destacam-se amontoados pedregosos, designados por caos de blocos, típicos de zonas onde predominam rochas maciças, como os sienitos, os granitos e afins.

No Algarve, a queda de neve é muito rara. A Fóia é o lugar mais provável para ocorrer esse fenómeno – diz-se que de sete em sete anos. A geada é mais frequente no lado norte, e todos os anos há suficientes dias de temperaturas baixas para permitir uma boa produção de maçã.

Socalcos
Nos socalcos das encostas, construídos para controlar a erosão provocada pela água da chuva nos terrenos inclinados, crescem laranjeiras, cerejeiras, pessegueiros e castanheiros. Estes terraços agrícolas são também zonas de pastoreio de cabras e vacas.

A adelfeira, espécie endémica (Rhododendron ponticum subsp. baeticum
Endemismo ibérico, isto é, uma espécie que só existe numa determinada região, neste caso a Península Ibérica. É talvez o mais notável sobrevivente da antiga floresta Laurissilva, que existia no território do continente e que foi praticamente destruída pelas glaciações do período Pleistocénico (era que se iniciou aproximadamente há 2 milhões de anos e terminou há cerca de 10 mil anos).

Hoje, a adelfeira cresce de forma espontânea em alguns pontos da serra de Monchique e da serra do Caramulo, em Portugal, e no Maciço do Aljibe, na Andaluzia espanhola. Dada a sua escassa distribuição geográfica, e o isolamento destas populações, a espécie encontra-se ameaçada.

Em Monchique, esta espécie encontra-se em solos com elevado teor de humidade, em ambiente subatlântico. No entanto, no limite inferior da sua distribuição encontram-se elementos mediterrânicos, que ocorrem, por vezes, também como resultado da degradação destes habitats.
A adelfeira contém alcalóides venenosos para o gado e, por isso, em Monchique, diz-se ser indicada como ingrediente principal para a confeção do “chá das sogras”. É tema de uma canção popular de Monchique.

Pontos de Interesse

PR1 ORQ – Montes e Vales de Santana da Serra

O relevo é bastante acidentado e marcado por cabeços e cerros separados por vales cavados naquela que é já uma zona de início das serranias algarvias. As paisagens são a perder de vista, num mar de verde e fragas. Pelos campos encontram-se montes em ruínas,...

PR3 ADL – Conquista de Terena

Saia do Largo do Castelo, passe frente à Torre do Relógio e Pelourinho. Passe na Igreja de S. Pedro em direção ao cemitério. Siga e tome o caminho de terra junto à Horta do Professor. Subida suave. Passe o portão de gado, com grelha metálica no chão, até ao cruzamento...

Arrozais de Campilhas

Foi ainda no tempo do Estado Novo que foram construídas as barragens no Alentejo. Esta caminhada permite conhecer tanto a agricultura de regadio como de sequeiro, com belos montados que originam grande riqueza florística e faunística. A Primavera é especialmente...