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Canto do Papão Lusitano

Poucos anos depois de ter alcançado o sucesso comMarat/Sade, o escritor e dramaturgo Peter Weiss (1916-1982) assina um dos textos dramatúrgicos mais conhecidos de denúncia do colonialismo,Gesang vom lusitanischen Popanz (na atual versãoCanto do Papão Lusitano). Inscrito na tradição brechtiana, este musical visava diretamente a ditadura portuguesa, que o rotulou de imediato como “maldito”. Coube a inúmeros grupos de teatro amador, sobretudo compostos por portugueses exilados em França, levá-lo à cena, tornando-o de imediato um porta-estandarte da luta democrática e do anticolonialismo.

50 Anos depois da estreia mundial no Scala-Teatern de Estocolmo, a peça, que Mário Cesariny considerou dever ser tratada como património nacional dos portugueses, por constituir uma “força de acusação e de resistência universais à ditadura colonialista salazarista”, é reencenada pelo Teatro da Garagem, com o apoio da Universidade Nova de Lisboa. Reconhecendo-se “órfão da heroicidade militante contra o fascismo” e estar “melancolicamente suspenso no espetáculo mediático”, o encenador Carlos J. Pessoa afirma procurar, neste espetáculo, “um Papão, ou Fantoche, ao virar da esquina, para pregar um valente susto.”FB

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