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CATARINA PINTO LEITE

O sótão de um atelier é forçosamente o sótão de uma infância, o lugar retirado da fantasia e da «arrumação» da memória no qual cada telha ou trave de madeira, cada tábua de chão envelhecida ou falha visível se elevam à condição de indício, de mobilizador secreto, de forma pregnante. No caso da artista, o sótão arquetípico coincide com o sótão real, aquele que o atelier realmente é ou tem, numa sobreposição feliz de circunstâncias: os recintos, os tectos esconsos e as esquinas, a clarabóia, as linhas flutuantes e os planos inclinados, as zonas de sombra e de luz, as pequenas imperfeições são abrigo, circunscrição, surpresa, defesa, prospecção, contaminação e referente reais, mas também alfabeto formal, sugestão térmica e cromática, impregnação imaginária.

O caminho que seguem as linhas que nele se desenham habita o olhar, depois o corpo dos gestos e finalmente a quimera de quem risca ou suja (ou limpa!) o papel do modo sensível que estes grandes e pequenos formatos testemunham.

Pontos de Interesse

baixos altos

Esquece as retas. Pensa em círculos, em curvas, em BAIXOS E ALTOS. Assim, as surpresas de vida surpreender-te-ão menos. Pensa em labirintos, em tramas de tecidos, em caminhos cruzados, montanhas russas, em idas e vindas. Lembra-te da Beleza do desconhecido, da emoção...